Qual é o momento ideal para fazer a reforma de casa?

Se você já construiu a sua casa, certamente seguiu um planejamento bem estruturado. Mas quando chega a hora de reformar, muitas pessoas acabam não se planejando da mesma maneira, o que pode acarretar em diversos problemas. São vários detalhes que devem ser pensados, desde a programação cautelosa de cada etapa até como identificar corretamente a necessidade de reforma.

João Carlos Gabriel, professor de Engenharia Civil da Universidade Presbiteriana Mackenzie Campinas, conta que o melhor momento para pensar em uma reforma de casa é quando você consegue combinar um conjunto de fatores. “A necessidade de se fazer a reforma, possuir capital necessário para fazer a compra do material de construção e pagar a mão de obra, ter a mão de obra adequada para cada atividade, além de tempo para fazer as compras, acompanhar o serviço, aprovar ou reprovar as atividades e orientar os profissionais”, orienta. Outros cuidados que precisam entrar nessa programação é a contratação de caçamba para descarte de entulho, se necessário, a remoção de móveis e se atentar para não deixar os profissionais sozinhos ou em uma casa com crianças e/ou idosos.

 

A importância de contar com profissionais especializados

 

Engenheiro civil

João recomenda que, inicialmente, seja contratado um engenheiro civil para acompanhar todas as fases do planejamento e da execução, como os serviços a serem executados, custos, avaliação dos prestadores de serviço e escolha de materiais, garantindo assim a qualidade do resultado final da reforma.

 

Profissionais de cada área

“Quanto ao tipo de serviço: deve-se anotar de forma mais detalhada possível quais devem ser feitos, item por item e consultar, pelo menos, 3 profissionais da área para orçar cada tipo de serviço”, orienta. Pedreiro faz o orçamento e avalia os riscos dos serviços de pedreiro; encanador de encanamento, e assim por diante, cada um sempre no seu “quadrado”.

 

Atenção para o custo da mão de obra

Cada um dos profissionais escolhidos deve detalhar bem o custo da reforma de casa. “Custo por serviço/atividade é a melhor coisa, pois os custos por hora podem levar os profissionais a enrolar o tempo, ou seja, fazer pouco por hora para ganhar mais. Todos os custos devem ser anotados em uma planilha eletrônica ou em um caderno. As notas fiscais também devem ser guardadas, assim esses custos podem ser reportados como valorização da casa na próxima declaração do imposto de renda”, ressalta.

 

Cronograma de execução da reforma

Cada atividade a ser realizada na reforma leva o seu tempo, então, é preciso definir junto ao engenheiro civil e os profissionais de cada área a data de início e de fim da obra, assim como solicitar ao prestador de serviço a lista de materiais necessários para iniciar a reforma. A dica é não comprar todos os materiais de uma única vez, caso o cronograma seja mais longo. Ao garantir tudo o que o prestador necessita inicialmente, você poderá aguardar para comprar os demais materiais, evitando também ocupar espaços da sua casa com materiais que ficarão parados.

 

Faça um contrato de serviço

Não corra o risco de “combinar” a execução da reforma, mesmo que pequena, apenas no “boca a boca”. Faça um contrato de reforma ou pequenas construções, que contenha os dados do prestador, os seus dados, os serviços que serão realizados, assim como os custos, cláusulas de desistência para ambas as partes e data prevista para o início e o fim da reforma. Dessa forma, você terá proteção legal para qualquer eventualidade, e em qualquer necessidade de serviço extra, lembre-se sempre de acrescentar um aditivo ao contrato.

 

Quais são os detalhes mais comuns na construção que indicam a necessidade de reforma?

São vários os detalhes na construção que evidenciam a necessidade de realizar uma reforma na residência. João explica que os mais comuns são os problemas estruturais com recalque da obra, formação de fissuras e trincas, infiltrações nas paredes, problemas elétricos e hidráulicos, melhorias de ambientes de lazer e “desplacamentos” de revestimentos cerâmicos – externos ou internos. “Outros problemas são portas que não abrem ou fecham, indicando movimentação da estrutura. As reformas também podem ser feitas quando ocorre a necessidade de ampliação ou redução de ambientes, quebra de paredes, problemas estruturais com o telhado e as telhas, etc.”.

 

É possível minimizar riscos?

Para reduzir as chances de que problemas ocorram é necessário usar os ambientes e as coisas como são indicados em seu processo de uso. “Uma torneira, se não fecha totalmente, não adianta apertar, pois vai espanar e quebrar. Se a torneira estiver vazando é melhor trocar o couro ou substituir a torneira. Não é porque a parede tem pintura que se pode encostar as mão sujas nela. As mãos têm gorduras e cada vez que se toca na parede, essa gordura permanece lá, e é necessário remover com água, sabão e esponja, o que desgasta a tinta localmente”, explica.

“A casa é como nós humanos. Quando envelhecemos temos que ir ao médico, fazer exames e tomar remédios. A casa também envelhece e sempre merece uma reforma. Os problemas sempre vão aparecer e quanto mais rápido for feita uma manutenção, menor o impacto posterior”, complementa o docente.

Lembrando que a necessidade de reforma pode acontecer quando não há problemas de construção, mas sim a necessidade do proprietário de mudar o layout da casa, assim como alterar a estética interna ou externa, o que também se caracteriza como reforma. Em todos os casos, João reforça a importância de iniciar o planejamento sempre com um engenheiro civil.